Viaxan a Río o 26 de novembro
Empresarios de toda Galiza buscarán novos mercados para os seus produtos no Brasil na misión comercial plurisectorial que se celebrará na cidade de Río de Janeiro do 29 de novembro ao 6 de decembro do 2009.
O obxectivo da misión é o de potenciar a presenza galega nunha das máis emerxentes economías a nivel mundial, ademais dun dos destinos máis importantes das exportacións españolas.
O desprazamento está enmarcado dentro do Plan FOEXGA (Plan de Fomento das Exportacións Galegas) e será organizado pola Cámara de Comercio de Pontevedra en colaboración co resto de Cámaras da comunidade. A maiores o 1 de decembro terán lugar unhas Xornadas Técnicas organizadas polas Cámaras de Comercio de Galiza que consistirán nunha presentación a empresarios e profesionais de Río sobre a potencialidade os sectores produtivos galegos de Construción Naval e Autopiezas, Enerxías Alternativas e Renovébeis, Editorial e Audiovisual, Sector Turístico, Materiais e Maquinaria para Construción, Equipos e Maquinaria para a Industria de Pesca e Acuicultura e Derivados.
Coa intención de favorecer o intercambio entre as empresas, laseguir destas xornadas realizaranse uns encontros empresariais organizados en colaboración coa FIRJAN (Federação das Indústrias do Estado de Río de Janeiro).
Desde o 1 ata o 5 de decembro levará a cabo a exposición dos diferentes catálogos das empresas galegas participantes na misión. E desde o 2 até o 5 procederase á elaboración de axendas individualizadas na sede das empresas brasileiras.
Emerxencia do Brasil
O Brasil é un dos estados máis cobizados en canto ás oportunidades para os investimentos estranxeiros, consolidou a súa posición de líder indiscutíbel o desenvolvemento económico de América Latina e amósase como un dos sistemas máis sólidos á hora de resistir as arremetidas da crise financeira global. De feito, o Brasil recibiu o grao de investimento outorgado por algunhas das máis prestixiosas axencias de cualificación crediticia, como Fitch, Standard & Poor’s ou Moody’s, todo un signo de calidade que só obteñen os países que garanten e aseguran a entrada de capitais estranxeiros. Ademais, o Banco Central prevé o despegamento definitivo da economía brasileira para o próximo ano, cun crecemento estimado do 4,5%. Aínda por riba, os achados petrolíferos nas costas dos Estados de Espírito Santo, Río de Janeiro e São Paulo reafirman as teorías de que o Brasil marcará o camiño do subcontinente nas próximas décadas.
O seu ascenso viuse recompensado coa organización do Mundial de Fútbol do 2014 e coa recente elección de Río como sede dos Xogos Olímpicos do 2016. Só na cita olímpica está prevista un investimento de case 10.000 millóns de euros, diñeiro que na súa maioría estará destinado a culminar as obras do metro, levantar novas instalacións deportivas, duplicar as prazas hostaleiras ou reforzar a seguridade.
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Confederação de Empresários de Pontevedra (CEP) querem criar uma rede empresarial de cooperação entre a Galiza e o Norte de Portugal para aprofundar as relações comerciais entre as duas regiões.
“São muitos os campos em que há capacidade para aprofundarmos a cooperação”, afirmou o administrador da AEP, Valente de Oliveira, dando como exemplos o mobiliário e a indústria da madeira, a área alimentar, os transportes e o turismo. Falando no Porto numa entrevista coletiva para apresentação do Fórum de Cooperação Empresarial Galícia-Norte de Portugal, que irá ocorrer em 27 de novembro em Baiona, Valente de Oliveira destacou que, a nível turístico, as duas regiões juntas podem ser “um grande foco no turismo esportivo, religioso ou gastronômico. “Sozinhos não somos capazes de reter os turistas durante muito tempo, mas em conjunto é mais fácil fazê-lo”, sustentou. “Estamos abertos a tudo.
Cada um, com as suas competências, pode abrir oportunidades de negócio”, acrescentou o presidente da CEP, José Manuel Fernández Alvariño. Para Alvariño, “antes havia muito mais desconfiança entre os empresários portugueses e galegos, mas atualmente há uma grande trajetória de aproximação, até por causa da crise econômica”. “Agora queremos uma plataforma totalmente distinta de aproximação, quase com uma personalidade jurídica diferente, que poderá beneficiar de fundos europeus”, disse, apontando como exemplo a realização de missões empresariais conjuntas ao estrangeiro.
Neste âmbito, Valente de Oliveira destacou as vantagens em rentabilizar “a grande influência de Espanha em toda a América Latina de fala espanhola” e as “relações especiais de Portugal com o Brasil”. “Se nos juntarmos há a possibilidade de parcerias com boa parte de todo o outro lado do Atlântico”, sustentou.
Com vista à criação da rede empresarial de cooperação euroregional será assinado, durante o fórum de Baiona, um protocolo entre a AEP e a CEP que prevê a constituição de um “observatório de análise e reflexão sobre a realidade sócio-econômica dos territórios que integram a euroregião”. Durante o fórum serão ainda entregues os prêmios CEP-AEP 2009, “como reconhecimento do trabalho desenvolvido pelas pequenas e médias empresas e instituições localizadas na euroregião Galícia-Norte de Portugal” que se têm destacado nas áreas da inovação, cooperação transfronteiriça, internacionalização e transferência tecnológica.
O fórum contará com a presença dos presidentes da AEP e da CEP, José António Barros e José Manuel Fernández Alvariño, respectivamente, e dos presidentes da Confederação Espanhola de Organizações Empresariais (Gerardo Díaz Ferrán), da Junta da Galícia (Alberto Núñez Feijóo) e da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (Carlos Lage).
Durante o encontro, especialistas de várias áreas da vida empresarial, acadêmica e política de Portugal e Espanha irão analisar as perspectivas e desafios da cooperação transfronteiriça, focando os mecanismos de dinamização empresarial na euroregião Galícia-Norte de Portugal.
Balneario: o alcalde confirma os problemas de financiamento anunciados por “O Eco de Ponte Caldelas”

O jornal da direita espanholista “la Voz de Galicia” publica hoje uma informação sobre os problemas orçamentarios do projecto de Balnerio que promove a empresa “El Bosque” no que se confirma a existencia de problemas económicos, tal como adiantaba “O Eco de Ponte Caldelas”.
“El Bosque busca financiamento para o hotel balneario do Verdugo O alcalde de Ponte Caldelas, o popular Perfecto Rodríguez, afirmou onte que a empresa El Bosque está buscando financiamento para o proxecto do hotel balneario do Verdugo. A preguntas dos xornalistas, o rexedor non se atreveu a dar un prazo para a continuación das obras, que no seu día foron suspendidas ao non estar asegurada pola Xunta do bipartito a licenza que afecta á zona rústica da parcela. O político incidiu onte en que a iniciativa corresponde á empresa ao tratarse dun proxecto privado, aínda que declarado de interese público e social polo Concello e a Mancomunidade de Turismo Terras de Pontevedra. «A empresa está buscando o financiamento unha vez resoltos os problemas administrativos. Niso está», dixo o rexedor. Perfecto Rodríguez recordou que El Bosque recibiu o pasado agosto a autorización autonómica para o hotel. «A situación económica non é fácil, pero antes ou despois conseguirán o financiamento», apuntou. As obras de construción do balneario do Verdugo paralizáronse fai agora un ano.”
Festa da Música reúne 580 artistas em vários espaços da cidade
Evento terá músicos do Brasil e de outros paises em um encontro de culturas
580 artistas participarão de 62 shows em sete das nove regionais da capital. O evento, também comemorativo do Ano da França no Brasil, terá três shows de origem francesa. Novos talentos do instrumental mineiro (Cataventoré, Cortajaca, Ramo, Orquestra Misturada, entre outros) compõem a agenda da Festa da Música ao lado de grandes instrumentistas (Egberto Gismonti, Toninho Horta, grupos Uakti e Nó em Pingo D’água e a banda Black Rio). E há também as atrações internacionais, caso da cantora galega Uxia, do guitarista americano Mark Lambert e dos franceses Pierre Barouh, Jacques Figueira (com a participação da paulista Giana Viscardi) e Jean-Yves Candela (com o paulista Zé Luiz Mazziotti). “
O bandolinista Hamilton de Holanda, Prêmio TIM pela segunda vez consecutiva, receberá em seu show um dos vencedores do projeto Vozes do morro, promovido pelo governo de Minas. Ele, que participou da Fête de La Musique, de Paris, em junho de 2001, afirma que o evento, agora reproduzido no Brasil, é mais do que necessário: “As pessoas precisam se alimentar de música também, ainda mais dessa maneira bonita e democrática, sem pagar ingressos.” Acompanhado de quinteto, Hamilton apresenta o show Brasilianos, com repertório inspirado em Pixinguinha, Baden Powell e Hermeto Pascoal. Com o disco, ganhou prêmio de solista da MPB e foi indicado ao Grammy Latino 2008.
VOZES
Com a aprovação do projeto da Festa da Música na Lei Rouanet, tornou-se possível a inclusão da música vocal. Para Rose Pidner, quem ganha é o público, que terá o privilégio de assistir, por exemplo, ao concerto do cantor paulista Zé Luiz Mazziotti, convidado do pianista francês Jean-Yves Candela. “Por se tratar de apresentação ao ar livre, pretendo fugir um pouco do meu estilo intimista”, avisa Zé Luiz, dono de um dos timbres mais belos da MPB. O intérprete, que soma 42 anos de carreira e nove discos (o mais recente é Canções de Chico Buarque na interpretação de Zé Luiz Mazziotti, de 2004), apresenta repertório de Chico Buarque a Michel Legrand, passando por Henri Salvador e Edith Piaf.
“A Festa da Música é tudo que estamos precisando em um momento como este de crise. Leva boa música para o público, a exemplo do que ocorria com o projeto Pixinguinha”, compara. O norte-americano Mark Lambert está de volta à cidade
PRESENÇA INTERNACIONAL
Um mês depois de participar, como convidado, do Savassi Jazz Festival 2009, o guitarrista americano Mark Lambert retorna à capital para concerto mais íntimo, com quarteto. “Vamos fazer temas de jazz, samba e baião com tratamento mais abrasileirado”, anuncia. Além de Cole Porter, George Gershwin e Tom Jobim, promete releituras da música pop de Sting com roupagem jazzística. Radicado no Rio há cinco anos, Mark recorda com entusiasmo da Festa da Música de Montreal, Canadá, onde tocou ao lado de Astrud, em 1992. “Trata-se de evento igualitário, sem despesas para o público”, avalia. Pela primeira vez em Minas, onde tem amigos como Vitor Santana, Makely Ka, Pedro Morais e Déa Trancoso, a galega Uxia acredita que o evento será ótima oportunidade para se aproximar da cultura mineira. “Temos muito em comum, entre música, comida e paisagem.” Acompanhada do pianista Paulo Borges, da Ilha de Açores, Uxia aproveita para apresentar canções de seu mais recente disco, Eterno navegar. Faz também retrospectiva da carreira, que em 2010 completa 25 anos. “Somos a irmã pequena da lusofonia”, diz a respeito da Galícia (localizada entre o Norte da Espanha e de Portugal, em cuja capital, Santiago de Compostela, está o mítico Caminho de Santiago).
Um dos concertos mais esperados do evento é o do francês Pierre Barouh. Praticamente responsável pela introdução da MPB na França, em pleno reinado da bossa nova, o cantor e ator foi responsável por verter para o francês o Samba da bênção (Saravah), de Baden e Vinicius de Moraes, incluída na trilha do filme Um homem e uma mulher (Un homme et une femme), de Claude Lelouch, no qual também atuou. Na Festa da Música, ele será convidado do baixista mineiro Rômulo Marques, radicado na França, com direito também à companhia de Beto Lopes, Chico Amaral e Raí na banda.
Leia mais em
A Quintana, o Toural, Platerías, o Obradoiro e moitas ruas ateigadas de galegos de Nação

A marcha ao sair da Alameda compostelana.

Os manifestantes que não poiderom entrar na Quintana ocuparom muitas praças de Compostela (na foto o Obradoiro)

Platerías: Muitos cidadãos não poiderom entrar na Quintana.

A marcha em defesa da lingua na Praça da Quintana
Fotogalería do “bloco laranja”

Duas horas depois do início oficial da manifestaçom ainda estavam chegando centos de pessoas à zona histórica de Compostela
A data ficará bastante tempo no imaginário colectivo como o dia em que mais pessoas saírom às ruas em defesa da língua galega. Mais de 70 mil segundo os nossos cálculos, cifra incrementada até 100 mil pola plataforma Queremos Galego e reduzida a 50 mil pola Polícia. Fora números, triunfa acima de tudo a visom do coraçom de Compostela paralisado desde antes das 12 do meio-dia até perto das três da tarde, a imagem das principais artérias da cidade substituindo os automóveis pola maré cidadã que se manifestou contra a imposiçom do castelhano e contra os constantes anúncios de políticas desgaleguizadoras.
Dá ideia da magnitude da manifestaçom assinalar que polas 14h20, mais de duas horas depois do início oficial da mobilizaçom (convocada para as 12h), e depois de umha hora de intervenções dos porta-vozes de Queremos Galego, centos de pessoas ainda se dirigiam à zona histórica de Compostela, a maior parte integrantes de Galego Sempre Mais.
Alberto Núñez Feijóo, com só seis meses à frente da Junta, já tivo em maio o recorde de ser o presidente em cujo mandato de convocou a maior manifestaçom em defesa do galego, quando 50 mil pessoas saírom às ruas. Agora, em outubro, a cifra incrementou-se notavelmente para vergonha do chefe do Executivo autonómico. Duvidoso honor o de lograr por duas vezes esta marca em só meio ano.
Maré laranja Também houvo boa participaçom no bloco reintegracionista da plataforma Galego Sempre Mais, que igual que no 17 de Maio deixárom uns metros de separaçom com o resto da manifestaçom.
«TVG, manipulaçom»
Além das palavras de ordem habituais como «Na Galiza, em galego», «Galego, português, a mesma língua é» ou «Galego, língua da escola», entre muitas outras, na manifestaçom também se ouvírom berros pouco habituais desde o fim do Governo de Manuel Fraga. «TVG manipulaçom» pudo escuitar-se na conexom que fizo a televisom pública galega. Os manifestantes nom perdoárom que nos dias prévios à marcha a TVG mantivesse um silêncio quase absoluto a respeito.
Reacções
O veterano galeguista Avelino Pousa Antelo, presidente da Fundaçom Castelão, lembrou umha frase do pessoeiro que dá nome à instituiçom e assinalou que «se ainda somos galegos e por obra e graça do idioma». Por sua parte, a actriz Patrícia Vázquez afirmou que «por vez primeira em toda a história da autonomia, o Governo galego nom apenas nom está a defender a nossa língua própria, mas lidera o ataque contra o seu uso». O músico e comunicador Xurxo Souto realizou umha intervençom intercalada com canções e instou a mocidade urbana à defesa activa do galego.
Do ámbito político salientamos as intervenções de Guilherme Vázquez, porta-voz nacional do BNG, e de Manuel Vázquez, secretário-geral dos socialistas galegos. O primeiro reclamou que o PP rectifique e regresse ao consenso e assinalou que a cidadania se manifestou contra a política «extremista» da Junta. O segundo acusou Feijóo de ser o «inimigo público número um» do galego, apesar de que do seu próprio partido estám a reclamar umha involuçom na legislaçom normalizadora em matéria toponímica.
leia mais em
Manifesto 18 de Outubro de 2009
Contra o bilingüismo
Pola hegemonia social do galego

O período histórico que estamos a viver é com certeza o pior para a nossa língua. Seria portanto o melhor momento histórico para que todos os grupos e todas as pessoas que temos como meta a hegemonia social do galego uníssemos as nossas vozes e as nossas acçons. O melhor momento histórico para que colocássemos num segundo plano as nossas filiaçons partidárias, as nossas fobias e os nossos preconceitos. O melhor momento histórico para incidir naquilo que nos une, que é muito, e nom naquilo que nos separa, que é menos do que pensamos. O certo é que a divisom, na conjuntura actual, é um luxo que nom nos podemos permitir.
Por isso, a Plataforma Galego Sempre Mais está aqui. Porque o seu único objectivo é que língua da Galiza se torne no referente lingüístico por excelência da sociedade galega, para além do seu sinal de identidade.
Para evitar isto, o governo actual está a seguir umha política de inutilizaçom do galego por meios de duas vias:
A primeira é eliminar ou reduzir a sua presença naqueles espaços sociais que fam com que umha língua seja sentida como tal pola sociedade galega. É o caso do ensino, o acesso a postos de trabalho ou os meios de comunicaçom. Facilita-se assim a hegemonia social do espanhol nestas áreas, já de por si muito acentuada.
A segunda é desligando o galego das outras variedades que sim som hegemónicas nas suas respectivas sociedades, caso de Portugal e do Brasil. Com isto consegue-se estrangeirizar todo o que elas produzem: software, livros, música, cinema. Facilita-se assim que a sociedade galega aceda a estes produtos unicamente em espanhol.
Ambas as linhas de actuaçom tenhem como objectivo restringir as potencialidades do galego, para que continue a ser umha realidade periférica a respeito do espanhol, quando nom facilitar já a sua substituiçom definitiva.
Portanto, a hegemonia social do galego e a estratégia galego-luso-brasileira som os eixos de qualquer política lingüística que aspire a que a Galiza exerça plenamente o seu direito colectivo à língua.
Organismos internacionais nom supeditados aos interesses do Estado, como o Conselho da Europa, tenhem recomendado repetidamente nos seus informes anuais o incremento dos nossos relacionamentos lingüísticos com Portugal e a aplicaçom de políticas de imersom no ensino galego, medidas essas que só seriam possíveis num quadro de verdadeira oficialidade legal do galego.
Em definitivo, a Plataforma Galego Sempre Mais apresenta-se novamente nas ruas de Compostela para defender esses princípios, esperando poder coincidir com outros colectivos também interessados na normalizaçom do galego.
Contodo, as entidades que formamos a Plataforma Galego Sempre Mais temos a firme determinaçom de ir além das convocatórias pontuais, alicerçando umha verdadeira unidade em torno dos referidos princípios. Com esse objectivo, convocamos umha assembleia aberta para o dia 21 de Novembro, em que sentemos as bases de umha nova entidade nacional que trabalhe todo o ano, e nom só em datas simbólicas ou concretas, pola conquista da hegemonia social do galego.
Entidades convocantes:
Associaçom Cultural Obreira Maçarico
S.C.D. Condado
Apoiantes:
Agrupaçom de Montanha Augas Limpas
L’ambaixada de Països Cataláns na Galiza
Assembleia da Mocidade Independentista
Assembleia de Mulheres do Condado
Espai Gallec dels Països Catalans
Sei O Que Nos Figestes… Nos Últimos 525 Anos

A brasileira de orixe galega ficcionaliza as súas memorias en ‘Corazón andariego’
“Estou moi cansa. Erguinme ás catro da mañá e non durmo ben dende que saín do Brasil”, advirte Nélida Piñón (Vila Isabel, Río de Janeiro, 1937) ao comezo deste encontro. Leva case toda a semana promocionando o seu novo libro, Corazón andariego, publicado en castelán por Alfaguara, e o esgotamento reflícteselle no rostro, pero non afecta ao seu carácter aberto e falador.
Nunha conversa que mestura galego, portugués e sobre todo castelán, tres linguas que a autora d’A república dos soños considera como entes diferenciados. Nesa Babel na que todo se entende, a escritora fala, coma se nunca o contara antes, de como a memoria construe unha ficción co pasado de un, ou de como unha visita a unha Galicia “fabuladora” con dez anos cambiou a súa visión da vida.
Que a levou a escribir unhas memorias coma estas, onde hai tanta ficción?
Eu non fago ficción. É a memoria a que dalgún xeito ficcionaliza a vida. A vida é un repertorio tan vasto que non permite rexenerar a memoria. Mesmo cando un non o desexa, a memoria ficcionaliza a vida. Eu escribín sobre o que me parece presente na miña vida, na miña memoria, nas miñas evocacións. Pero son consciente das limitacións, das traicións da memoria. A memoria é o repertorio máis fecundo do humano.
Non lle conta aos lectores a súa formación como escritora.
Non cheguei tan lonxe, quería poñer toda a énfase na miña formación interior, a máis importante. Foi a que me levou á literatura e á práctica literaria. Eu creo que a escrita que virá despois está xa alí. Non podía abarcar a miña vida enteira. Para iso necesitaría varios volumes.
Sempre soubo que sería escritora?
Iso me parecía, si, aínda que dunha maneira imprecisa. Eu imaxinaba que os escritores vivían o que escribían. Para min, Alexandre Dumas [o autor de Les Trois Mousquetaires] era el mesmo un mosqueteiro. Eu tamén quería ser unha aventureira. Deixar a casa e non volver. Aventuras talvez non, pero viaxes, con esta profesión, tería unha cantas. Aventuras tiven algunhas, pero non as que imaxinara, sobre un cabalo atravesando un prado, vivindo da paisaxe, nunha soidade absoluta en contacto cos animais, atopándome de súpeto cos indios. Sempre me gustaron os libros de aventuras. Aínda hoxe, cando vexo unha desas películas de época, que me encantan, asumo a personalidade de moita xente.
En Corazón andariego tamén ficcionaliza a súa relación con Galicia.
Non podo falar de min sen falar de Galicia. É a miña xenealoxía. Tiven a sorte de vir aquí con dez anos e desenvolver a miña vocación do sobrenatural. Agora todo cambiou moito, pero daquel viaxe eu recordo frío, todo escuro, mulleres de negro que me apertaban e me falaban nun idioma raro, rústico, que eu non entendía. Foi un circo. Nós viñamos cargadísimos de vultos e chovía tanto que a entrada da vila de meu pai [Cotobade, na provincia de Pontevedra] estaba chea de lama. Iso é o que devolve agora a memoria. Foi un namoramento que logo, andando a vida, incorporouse á miña visión do mundo, que tamén pasa por Homero e polo mundo antigo. Cando vexo a fachada da catedral de Santiago, sinto orgullo. Orgullo da miña xente, que trouxo aquí toda esa pedra e a traballou para construíla.
É difícil conseguir aquí os seus libros en versión orixinal, en portugués, pero tampouco se traducen ao galego. Este, por exemplo, témolo que ler en castelán. Parécelle ben?
Non sei, a min gustaríame que se me traducise ao galego, porque non estou tan segura de que a xente saiba portugués. Pero iso é unha cuestión das editoriais que non me compete. Estou á mercé do que decidan. Cantos anos tiveron que pasar para que se traducise A república dos soños [o orixinal é de 1984, a versión galega que publicou Galaxia é de 2004] ao galego?
O acordo ortográfico da lusofonía entrou en vigor este ano en Brasil.
O acordo ortográfico dos países lusófonos provocou moito malestar, aínda que para min non implica modificacións moi radicais. En todo caso, o que persegueu e posicionar o portugués no contexto internacional.
Debería estar aí o galego?
O galego é unha lingua de seu, soberana, coa súa cultura e a súa literatura, coas súas reclamacións propias. Unha lingua distinta do portugués, que sobreviviu grazas aos seus intelectuais.

